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Professor da Uncisal recebe Prêmio Nacional de Incentivo à Ciência

Pesquisa ‘Fendas Orais no SUS – Alagoas’ foi destaque em evento de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde’

por Bruna Albuquerque – Agência Alagoas

Pesquisa teve como objetivo conceber e testar um sistema de referência e contrarreferência em genética usando as fendas orais como modelo (Fotos: Ascom/Uncisal)

A Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) foi destaque no evento ‘Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde 2017: Conectando Pesquisas e Soluções’, realizado dias 29 e 30 de novembro, em São Paulo.

A pesquisa ‘Fendas Orais no SUS – Alagoas: definição de modelo para referência e contrarreferência’ obteve o 2º lugar no ‘Prêmio Nacional de Incentivo em Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS 2017’, na categoria Pesquisas Exitosas.

A pesquisa foi desenvolvida pelos setores de Genética da Uncisal e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), numa parceria que teve início no final dos anos 90, quando os professores Marshall Fontes e Isabela Monlleó, ambos com formação em genética, atuaram juntos como docentes na Uncisal.

A partir de 2008, Isabela Monlleó se transferiu para Ufal e a colaboração, tanto profissional quanto institucional, continuou efetiva e sólida. O pesquisador Marshall Fontes relembra que ela foi responsável pela estruturação do Setor de Genética da Uncisal nos anos 90.

Participam também da pesquisa a equipe do Laboratório de Citogenética Humana da Uncisal, uma vez que todos os pacientes com FOF participantes da pesquisa realizam exame de cariótipo nesse laboratório; profissionais do Hospital Universitário; Vera Lopes, do Departamento de Genética Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de acadêmicos de cursos de graduação da área de saúde da Uncisal e da Ufal.

Marshall Fontes recorda que as primeiras pesquisas sobre fendas orais em Alagoas foram realizadas pelo grupo de pesquisa a partir de 2009, quando foram caracterizados os aspectos essenciais para o planejamento da atenção à saúde de pessoas com fendas orofaciais no SUS.

A pesquisa teve como objetivo conceber e testar um sistema de referência e contrarreferência em genética usando as fendas orais como modelo. Além de trazer como benefício para população a perspectiva de contribuir com a organização do cuidado com as pessoas com fenda oral, no âmbito do SUS, com a participação dos gestores das esferas municipal, estadual e federal, englobando os três níveis de atenção, a básica, média e alta complexidade.

O pesquisador explica que as fendas orais são malformações congênitas com alta prevalência global, com uma estimativa de 1 para cada 600 a mil nascimentos, cujas pessoas requerem cuidado multiprofissional desde o seu nascimento até a vida adulta.

“Esse cuidado envolve tanto a promoção de saúde, prevenção de comorbidades, bem como reabilitação clínica e cirúrgica. Em Alagoas, inclusive, a atenção nessa área não está ainda estruturada, o que resulta de muitas deficiências, iniquidades e fragmentação desse cuidado”, esclarece o pesquisador.

“Sem dúvida é reconfortante ganhar esse prêmio, ainda mais considerando ser essa uma premiação nacional, representa o reconhecimento dos esforços e das ações desse grupo de pesquisadores, como a clareza da nossa proposta desde a sua indicação ao prêmio por parte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas e da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, de forma que, em nome de todos os membros da pesquisa, eu gostaria de agradecer”, conta Marshall Fontes.

De acordo com o professor pesquisador, esse prêmio é referente à pesquisa realizada entre 2013 e 2015. “Atualmente, essa pesquisa continua vigente, também com financiamento através dessa modalidade do PPSUS, envolve a consolidação dessa estratégia referência e contrarreferência, que se mostrou válida e passiva de ser estendida não só a outros defeitos congênitos como a outros estados brasileiros”, explica.